Força Aérea 1, o segredo da aguia americana


Como funciona o Air Force One


Introdução


O Air Force One, ou Força Aérea Um, é um proeminente símbolo dos Estados Unidos em geral e do gabinete da presidência em particular. Toda vez que o presidente americano cruza o oceano ou viaja pelo país, o faz a bordo de seu luxuoso jato jumbo de alta tecnologia. Durante os eventos de 11 de setembro de 2001, o avião presidencial mostrou que era muito mais do que um jato executivo: ele se tornou um abrigo móvel, enquanto todos os lugares em terra pareciam vulneráveis a ataques.

Imagem cedida pela Força Aérea dos EUA
O Air Force One sobrevoa o Monte Rushmore
Com tudo o que o Air Force One pode carregar, não é surpresa que a mídia o chame de "Casa Branca voadora". Neste artigo, saberemos o que distingue o Air Force One dos outros aviões e o que é necessário para o presidente viajar pelo mundo
A maioria das pessoas sabe que o avião que transporta o presidente americano é quase um escritório voador com todos os tipos de equipamentos de ponta. Mas há dois fatos sobre o Air Force One que o público desconhece.
  1. "Air Force One" não é tecnicamente um avião: é simplesmente o código de rádio para qualquer avião da Força Aérea dos Estados Unidos que transporte o presidente da nação. Assim que o presidente embarca em um avião da Força Aérea, tal avião passa a ser chamado de Air Force One pela tripulação e por todos os controladores de tráfego aéreo, para evitar confusões com quaisquer outros aviões na mesma área. Se o presidente viaja em uma aeronave do Exército, tal aeronave passa a se chamar Army One; sempre que ele embarca em seu helicóptero especializado, este passa a se chamar Marine One. É claro que, de maneira geral, os civis referem-se ao avião como Air Force One. Portanto, assim o faremos neste artigo.
  2. Na verdade, existem hoje dois aviões que voam regularmente sob esta designação: dois jatos Boeing 747-200B quase idênticos. Os aviões são designados VC-25A, com prefixos 28000 e 29000.

Imagem cedida pelo Departamento de Defesa dos EUA
Um dos dois 747 modificados que voam habitualmente
como "Air Force One"
Os dois aviões têm as mesmas capacidades e a mesma estrutura geral de um Boeing 747-200B normal. São quase tão altos quanto um prédio de seis andares tão compridos quanto um quarteirão urbano. Cada um tem quatro motores a jato General Electric CF6-80C2B1, que fornecem 28.300 kg de empuxo cada. A velocidade máxima fica entre 1.000 e 1.100km/h e o teto máximo (altitude máxima na qual o avião pode voar) é de 45 mil pés (13.716 metros). Cada avião leva 200 mil litros de combustível e pesa 380.000 kg quando completamente abastecido para uma missão de longa distância. Com um tanque cheio, o avião pode dar meia volta ao mundo.
Como um 747 normal, estes aviões têm três andares. Mas, por dentro, não se parecem nem um pouco com um 747 comercial. Na próxima seção, veremos os componentes mais importantes que distinguem os aviões VC-25A dos jatos normais.
O Air Force One tem 370 m² de área interna. Mais parece um hotel ou um escritório executivo do que um jato, exceto pelos cintos de segurança em todos os bancos e poltronas. O nível mais baixo do avião serve principalmente como espaço de carga. A maior parte do espaço para passageiros está no nível do meio e o mais alto é em grande parte dedicado aos equipamentos de comunicação.
O presidente tem uma suíte particular a bordo, com seu próprio quarto de dormir, banheiro, sala de ginástica e espaço para escritório. A maioria dos móveis do avião foi feita à mão por mestres carpinteiros.
A comitiva se reúne em uma ampla sala de reunião, que serve também como sala de jantar. Os membros mais graduados da equipe têm sua própria área de escritório e o resto da comitiva presidencial também tem espaço para trabalhar e relaxar. Há uma área separada para jornalistas que viajam com o presidente e bastante espaço para a tripulação do vôo fazer seu trabalho. O Air Force One pode levar confortavelmente 70 passageiros e 26 tripulantes.

A planta

O Air Force One tem um certo ar misterioso, especialmente por ser inacessível para a maioria de nós. Mesmo políticos e jornalistas visitantes não são permitidos em algumas partes do avião e a Força Aérea é cuidadosa em dissimular os detalhes específicos do projeto da aeronave. Inúmeras fontes oficiais e não-oficiais publicaram descrições do que há dentro do avião, mas ninguém, até onde se sabe, revelou como estas peças se encaixam.
Esta ilustração representa um palpite, com base nas informações disponíveis, de como o jato mais famoso do mundo está organizado.

A planta completa do Air Force One
Clique na animação acima para ver o interior do Air Force One (se preciso, o Macromedia Flash versão 6 será carregado automaticamente)
Como um Boeing 747 comum, o Air Force One tem três andares. O andar mais baixo leva bagagens, alimentos e equipamentos confidenciais. O andar do meio leva grande parte dos passageiros. O andar de cima tem a cabine do piloto e a área de comunicações.
Air Force One, ele está usando a porta que abre para o andar do meio. Normalmente, os jornalistas entram pela porta de trás e imediatamente sobem uma escada para o andar do meio. A maior parte da área de imprensa se parece com a primeira classe de um jato comum, com bancos confortáveis e espaçados entre si.
A tripulação geralmente entra pela porta mais baixa, localizada na frente do avião. Dali eles podem ir para a área de carga ou subir para o andar do meio.
A área da comitiva se localiza na parte da frente do avião, no andar do meio. A cozinha e a sala de conferências/sala de jantar ficam à direita. A sala de reunião é uma das maiores do avião. Uma passagem estreita leva a uma área de trabalho e ao compartimento de passageiros na parte de trás.
A suíte e o escritório do presidente ficam à esquerda da entrada, no andar do meio, na parte da frente do avião. Uma escada próxima à entrada do andar do meio leva a uma área de recepção no andar de cima. A tripulação vai direto da escada para a sala de comunicações, para o salão e para a cabine do avião.
Logicamente, o avião também tem espaço para a tripulação em serviço viajar e dormir e, provavelmente, tem mais bancos para a comitiva e a imprensa do que mostramos aqui. Além disso, deve possuir mais espaço de escritórios e salas para equipamentos eletrônicos confidenciais. Estas áreas extras poderiam estar tanto no andar do meio como no de baixo.
Além de seus espaços de passageiros não-convencionais, o Air Force One tem muitas tecnologias que o distinguem de um jato normal. Na próxima seção, descobriremos estas modificações especiais.

Características especiais

Como o Air Force One transporta o presidente e algumas viagens podem ser muito longas, ele possui vários itens especiais, muitos deles não encontrados em aviões comerciais.
Os tripulantes preparam refeições em duas cozinhas totalmente equipadas. Elas comportam uma grande quantidade de alimentos nas seções inferiores do avião. A tripulação está equipada para alimentar cerca de 100 pessoas de uma vez e a área de armazenagem contém 2 mil refeições.
O avião tem uma instalação médica a bordo. A sala médica tem uma grande farmácia, equipamentos de pronto-socorro e até uma mesa de cirurgia dobrável. O avião também tem uma equipe médica que viaja com o presidente aonde quer que ele vá. Em toda missão, o avião está preparado para possíveis emergências.
Ao contrário de um 747 normal, o avião tem suas próprias escadas retráteis para as entradas traseira e dianteira e dão acesso ao andar inferior. Tripulação e comitiva usam escadas internas para subir aos outros andares. O avião também tem seu próprio carregador de bagagens. Com estas modificações, o avião não depende das instalações de um aeroporto, o que poderia ser um risco para a segurança.
Os acessórios mais impressionantes do avião são seus equipamentos eletrônicos. Ele possui 85 telefones de bordo, uma variedade de rádios bidirecionais, aparelhos de fax e conexões de computador. Ele também tem 19 televisores e equipamentos de escritório. O sistema de telefonia está preparado para conexões normais entre ar e terra e linhas seguras. O presidente e sua comitiva podem se comunicar com qualquer lugar no mundo enquanto viajam a milhares de pés de altitude.
A eletrônica de bordo inclui cerca de 380 km de cabos (o dobro da quantidade encontrada em um 747 normal), protegidos por uma pesada blindagem, resistente o bastante para proteger a instalação e os eletrônicos essenciais de um pulsos eletromagnéticos associados a uma detonação nuclear.
Outro acessório especial é a conexão para reabastecimento em vôo. Como no B-2 e em outras aeronaves de combate, o reabastecimento em voo dá ao Air Force One a capacidade de ficar no ar indefinidamente, o que poderia ser crucial em uma situação de emergência.
Algumas das partes mais interessantes do avião são confidenciais: suas avançadas tecnologias de aviônica e de defesa. A Força Aérea sustenta que os dois aviões são de fato aeronaves militares, planejadas para resistir a um ataque aéreo. Entre outras coisas, o avião é equipado com contramedidas eletrônicas (ECM) para proteção contra radares inimigos. O avião também pode ejetar sinalizadores para atrair mísseis termossensíveis para fora de sua rota.

Operação de voo

Todo voo do Air Force One é classificado como uma operação militar e como tal é conduzido. Os tripulantes da Força Aérea da base de Andrews, em Maryland, inspecionam cuidadosamente o avião e a pista antes de cada voo.

Imagem cedida pelo Departamento de Defesa dos E.U.A.
O complexo para manutenção e apoio ao Air Force One, na base aérea de Andrews, em Maryland
Quando é hora de partir, o helicóptero Marine One leva o presidente dos Estados Unidos para a base aérea de Andrews. Por toda a base, equipes ficam atentas a qualquer aeronave não autorizada na área e têm permissão para abater as que forem avistadas.
Antes de qualquer voo do Air Force One, a Força Aérea envia aviões de carga Starlifter C141 ao destino, contendo o comboio presidencial. Esta coleção de limusines e vans blindadas, carregadas com armamentos, mantém a segurança do presidente em terra.

imagem cedida pela Força Aérea dos E.U.A.
Os Starlifter C141 entregam o comboio presidencial antes da chegada do Air Force One
O presidente sempre chega à base com a maleta que contém os códigos para lançamento do arsenal nuclear. Um oficial da Força Aérea guarda essa maleta durante todo o voo, antes de repassá-la a um oficial do Exército em terra.
Assim como um jato normal, o Air Force One tem uma tripulação para pilotar o avião e comissários de voo para preparar e servir refeições e limpar a aeronave. Estes membros da tripulação são militares cuidadosamente selecionados, com históricos de serviço exemplares. Mesmo os membros da tripulação que preparam refeições devem trabalhar em altos níveis de segurança. Quando compram alimentos, por exemplo, devem ir às lojas secretamente e escolher os mercados de modo aleatório, para proteger o presidente contra envenenamentos. A bordo do avião, a tripulação fornece serviços de primeira classe durante 24 horas.
Estes membros da tripulação desfrutam de um privilégio raro: trabalham ao lado do presidente quando ele está mais relaxado. Todo presidente, desde Harry Truman, estabeleceu boas relações com sua tripulação e o voo no Air Force One é sempre uma viagem acompanhada de emoção.

História

Até a Segunda Guerra Mundial, o presidente dos Estados Unidos raramente viajava para longe de casa. Visitar outros países demandava muito tempo e afastava o presidente das instituições maiores do governo.
O progresso das viagens aéreas tornou possível o presidente se deslocar pelo mundo e voltar logo para casa. Em 1943, Franklin Roosevelt se tornou o primeiro presidente em exercício a fazer essas viagens, quando usou um hidroavião Boeing 314 para ir a uma conferência de guerra em Casablanca.
Roosevelt usou um avião porque os submarinos alemães tornavam os mares muito perigosos, mas o sucesso da missão estabeleceu a viagem aérea como o meio padrão de transporte presidencial. Em seguida, o governo resolveu destinar uma aeronave militar para uso presidencial. Originalmente, a Força Aérea escolheu um avião Liberator Express C-87A, um bombardeiro adaptado para operações civis que foi batizado de "Guess where to (Adivinhe para onde)".
Depois que um outro C-87A se acidentou em circunstâncias misteriosas, o Serviço Secreto decidiu que ele não era um avião seguro para o presidente. Eles logo adaptaram um quadrimotor Skymaster C-54 (versão militar do Douglas DC-4) para Roosevelt, com quartos de dormir, um radiofone e um elevador retrátil para a cadeira de rodas do presidente. O avião, apelidado de "Sacred Cow (Vaca Sagrada)", transportou Roosevelt a muitas missões importantes, inclusive à Conferência de Yalta, de 4 a 11 de fevereiro de 1945, na qual os Aliados decidiriam como seria a reorganização da Europa depois que o conflito terminasse. .

Imagem cedida pela Administração Nacional de Arquivos e Registros
Harry Truman chegando a Berlim no "Vaca Sagrada", em 1945
O presidente Truman assumiu o Vaca Sagrada e depois o substituiu por um Douglas DC-6 modificado, que nomeou de "Independence (Independência)". Ao contrário do Vaca Sagrada, o Independência foi coberto com uma decoração patriótica, incluindo uma águia pintada em seu nariz. O presidente Eisenhower introduziu dois aviões a hélice similares, com equipamentos evoluídos, incluindo telefone e teletipo ar-terra.
Em 1958, quando a Força Aérea introduziu dois jatos Boeing 707 na frota, as viagens presidenciais deram um salto gigantesco. A Força Aérea começou a utilizar o código de rádio "Air Force One" durante o governo de Eisenhower e o público o adotou depois que Kennedy assumiu a presidência.
No início de seu mandato, Kennedy incluiu um 707 mais avançado e de maior autonomia e comandou uma transformação estética: a decoração azul e branca usada até hoje.

Imagem cedida pelo Departamento de Defesa dos E.U.A.
O VC-137C, um dos Boeing 707 que precederam o atual Air Force One
Este avião e um idêntico a ele, incluídos na frota em 1972, foram parte de alguns dos acontecimentos históricos mais importantes dos últimos 50 anos. O 707 levou Kennedy para Dallas em 22 de novembro de 1963 e transportou seu cadáver naquele mesmo dia. No voo de retorno, Lyndon Johnson prestou o juramento de posse. Os aviões gêmeos levaram o presidente Nixon da capital Washington para a Califórnia após sua renúncia. Em pleno voo, a tripulação recebeu a confirmação de que Gerald Ford havia sido empossado presidente e mudaram seu código de voo de Air Force One para SAM (missão aérea especial) 27000.

Imagem cedida pela Administração Nacional de Arquivos e Registros
Em novembro de 1963, Lyndon Johnson tornou-se presidente a bordo do Air Force One
Os 707 gêmeos serviram ao presidente Reagan durante seus dois mandatos e a George Bush pai na primeira metade do seu. Em 1990, a Força Aérea substituiu os aviões pelos 747 utilizados hoje. Os aviões podem ser substituídos novamente antes de 2010, quando completarão 20 anos de idade.








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