Os pilotos e a embolia pulmonar


Conheça e saiba como evitar a embolia pulmonar. Outro problema sério, muito mais comum entre Pilotos que na população em geral. O texto a seguir foi publicado na Revista americana Airline Pilot e traz o depoimento de Hank Hoffman, Comandante da American Airlines, que descobriu-se com a doença e fala sobre suas conseqüências e as precauções que podem ser tomadas para evitá-la.

Pilotos de avião e motoristas de caminhão estão entre os profissionais sujeitos ao risco de trombose nas veias, o que pode levar a uma embolia pulmonar. A trombose é basicamente um coágulo sangüíneo, que pode se formar nas suas pernas quando você fica sentado por um período prolongado de tempo. O pior é que o coágulo pode se desprender e migrar para o pulmão, onde o sangue é filtrado e oxigenado antes de retornar ao coração. O bloqueio resultante é chamado de embolia pulmonar e se a redução na circulação do pulmão for muito extensa, pode causar uma morte súbita.
Eu tive uma embolia pulmonar. Minha taxa de colesterol no sangue é baixa, não sou gordo, minha pressão e meus batimentos cardíacos em repouso são baixos, não fumo e sou bastante ativo. A embolia é mais comum em pessoas mais velhas, acima do peso, fora de forma ou fumantes. Algumas vezes, no entanto, pessoas saudáveis, que permanecem muito tempo sentadas no seu trabalho, também podem desenvolver trombose.
Quando voltei de um vôo para Assunção e percebi que estava sem fôlego, fui ao médico na manhã seguinte. Ele me deu um antibiótico, mas minha gripe estava mascarando o problema real. Dois dias depois, minha perna começou a doer e, em mais dois dias ela começou a inchar. Primeiro, três quartos de polegada e depois, uma polegada e meia. Neste ponto, fui parar no Pronto Socorro de um hospital onde passei seis horas e depois mais uma semana internado. Meus pulmões estavam trabalhando com menos de sessenta por cento de sua capacidade e eu finalmente entendi a natureza de meu problema. 

Veneno para rato 
No hospital, recebi Heparin por via intravenosa. Este medicamento dificulta a coagulação do sangue, prevenindo outros coágulos. O Heparin também dificulta o fim do sangramento de ferimentos e sua cicatrização. Os coágulos existentes continuam; espera-se que o organismo os reduza lentamente por outros processos ou que outras veias se desenvolvam, contornando as que estão entupidas. Eu também comecei a tomar Coumadin, um remédio administrado por via oral que funciona da mesma forma que o Heparin e é mais conhecido como veneno para rato. Tirei ainda amostra de sangue a cada 8 horas para checar o tempo de protrombina ou taxa de coagulação. Como podem ver, uma experiência não muito agradável. 
Vou ficar entre três e seis meses fora de vôo por causa do Coumadin. Para que a FAA libere um piloto que tenha tomado Coumadin, é necessário um "relatório de estabilidade" que demora cerca de 3 meses para ser preparado. Se os coágulos voltarem a se formar depois que eu parar de tomar o medicamento, vou ter que tomá-lo pelo resto da vida. 
Se eu conhecesse os sintomas, poderia ter evitado boa parte do sofrimento. O primeiro sintoma, um que veio e foi embora ao longo de vários anos, é um ponto dolorido da perna, geralmente na parte de dentro da coxa, no joelho ou na sua concavidade. Eu sempre pensava que tinha sido causado por uma brotoeja ou picada de inseto. O ponto dolorido é independente de qualquer músculo, portanto, se a dor não lhe fizer mancar ou obrigar a recuar o peso sobre a perna, ele pode muito bem ser um coágulo. O importante é não massagear o ponto. A massagem pode fazer o coágulo se dividir, e partes dele irem parar no pulmão. Ela reduz a pressão na sua perna, mas pode matá-lo. 
Um sintoma curioso que tive foi a planta de um dos meus pés ficar mais áspera que a outra. A pele sente a falta de fluxo sangüíneo antes e a mostra através de uma aspereza que nenhum creme hidratante consegue eliminar. O inchaço e a falta de fôlego só aparecem quando você já está com a vida ameaçada. 
Coágulos podem ser detectados através de exames de ultra-som. São eficientes e não doem, mas custam alguma coisa. A tendência a desenvolver coágulos pode ser transmitida hereditariamente. Meu pai os teve, mas ele também voava, pela Eastern, de forma que com ele a origem da doença também pode ter sido profissional. Acredito que, no meu caso, um dos motivos foi ter parado de tomar cafeína. Não precisando ir ao banheiro a cada hora, passei a considerar a Segurança de Vôo e o conforto do primeiro-oficial e ficar sentado o tempo todo. Meu médico aeroespacial recomenda caminhar a cada hora ou pelo menos, mesmo sentado, fazer alguns exercícios isométricos com as pernas, e massagear a parte de traz das panturrilhas e coxas (não massageie pontos doloridos misteriosos!). 
Sob recomendação do seu médico, você poderá ainda tomar uma aspirina infantil por dia ou Clopedogrel - um desses medicamentos modernos tidos como miraculosos. De qualquer forma, consulte um médico antes de tentar ajustar a sua taxa de coagulação sozinho.
O consultor de medicina aeroespacial da Associação Americana de Pilotos de Linha Aérea (ALPA), Dr. Donald Hudson, relata que em um período de 5 anos, 15 dos 46.000 sócios ativos da ALPA tiveram um diagnóstico de embolia pulmonar. Outros 60 tiveram sérias tromboses nas veias. 
Se você não quer se juntar a mim na lista de pilotos doentes, preste atenção no seu organismo. Eu estou bem. Estou me recuperando bem mais lentamente do que esperava, mas, na verdade, estava bem mais doente do que imaginava estar. 

-Fonte: Hank Hoffman é Comandante da American Airlines Artigo Publicado originalmente na revista Airline Pilot Extraído do Boletim Técnico da Associação de Tripulantes da TAM (ATT)

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