Os fundamentos da prevenção de acidentes


A prevenção de acidentes, como uma atividade baseada em diversos segmentos da ciência, fundamenta-se em conceitos e técnicas desenvolvidos desde há muito mas que vem evoluindo de acordo com a própria inovação tecnológica.



A prevenção de acidentes, como outra atividade qualquer, deve ser administrada por pessoal especializado nas técnicas que lhe são afetas de modo a poder aplicá-las convenientemente.


Para que o desenvolvimento da prevenção de acidentes seja coroado de êxito, é preciso, antes de tudo, haver a consciência de que Os gastos nessa área traduzem investimento e não custo pois o retomo sempre haverá, a partir de todas áreas de envolvimento com o voo. 

Dessa forma, quando tudo parecer normal, não significa que não é mais necessária a busca dos objetivos almejados pela prevenção de acidentes, mas sim, que é necessário perseverar nessa busca incessante uma vez que a tendência a partir daí e a instalação de um processo de complacência, ou seja, um relaxamento nas precauções e na preocupação com as medidas de segurança. 

Por isso, cada vez mais se torna necessária a execução de tarefas que venham a realimentar esse processo, mantendo sempre alto o nível de entendimento das razões de formação da cadeia de eventos que direcionam a atividade para a ocorrência de um acidente.

É aí que os aspectos da motivação, educação, treinamento e da supervisão se revelam de extrema importância para a garantia de que os acidentes não voltarão a ocorrer.
A deterioração da capacidade de resposta do homem frente às situações de perigo e a conseqüência mais grave decorrente de um estado de alerta relaxado.

Essas considerações traduzem a conceituação básica da PREVENÇÃO DE ACIDENTES na aviação e devem ser consideradas como fundamentais para o seu desenvolvimento.
A prevenção de acidentes é o conjunto de atividades destinadas a impedir a ocorrência de eventos desastrosos, evitando, assim, custos adicionais desnecessários na operação através'da preservação dos recursos materiais e humanos.

Ao tratarmos de prevenção de acidentes, não nos reportamos somente ao homem ou mesmo a aeronave mas, de uma maneira global, ao ser humano que opera essa máquina, a aeronave que é operada por uma equipe e ao meio no qual se desenvolve essa atividade, seja o meio aéreo com suas condições atmosféricas, o ambiente da cabine de pilotagem, o meio social e familiar em que vive esse homem e, também, o meio em que trabalha esse homem.

Esses três elementos, definidos pelo Trinômio HOMEM - MEIO - MÁQUINA, constituem a base e o objeto de toda atividade de prevenção de acidentes e, envolvendo pelo menos dois deles, o acidente ocorre, a menos que uma análise baseada no seu conhecimento seja levada a efeito para, a partir daí, ser estabelecido e posto em prática um conjunto de medidas destinadas a eliminar as fontes de risco existentes na atividade.

Os diretores não estarão prevenindo acidentes se não tiverem a consciência de que as diretrizes e normas deles emanadas contêm uma potencialidade para o acidente, bastando para isso que não seja considerada. de maneira adequada, a realidade atual que pode ser sistemática ou circunstancial e que, comumente, é influenciada por questões de ordem econômica e financeira.

Em um cenário empresarial, os programas de prevenção de acidentes estão associados ao conceito mais amplo de controle de qualidade, devendo ser considerado como um agente de crescimento econômico.

Hoje em dia, a gestão empresarial pela qualidade total, que visa basicamente a conquista do consumidor pela satisfação dos seus anseios, exige sempre a participação efetiva e direta do principal executivo da empresa. Só um claro compromisso da alta administração pode garantir a eficácia e a continuidade desses programas que, muitas vezes, estão sujeitos a certos conflitos de interesse de natureza setorial.

Sendo assim, o lucro não pode ser tratado em detrimento da Segurança de Voo mas também não pode ser gerido em função da Segurança de Voo. sob pena de inviabilizar as próprias operações da empresa, surgindo, daí, a necessidade da interação entre cada setor de atividade uma vez que somente assim será estabelecida a harmonia necessária para um perfeito entendimento das partes quanto aos anseios e necessidades.

É verdade que algum gasto Inicial deve ser realizado mas conseqüentemente são eliminados custos desnecessários e mais receita é gerada pois acresce qualidade aos serviços oferecidos, havendo segmentos do mercado dispostos a pagar por isso. Um eficaz trabalho de marketing paga os custos de um excelente programa de prevenção de acidentes.

Quando o programa de prevenção de acidentes é associado à qualidade dos serviços, a cultura de segurança de voo passa a integrar todos os setores da empresa, da alta administração às equipes de execução em todos os níveis.

A associação entre segurança de voo, a qualidade dos serviços e a rentabilidade operacional tem implicações claras e diretas nos resultados financeiros da empresa.

Neste contexto, qualquer programa de prevenção de acidentes apresenta desafios e resultados práticos no crescimento da empresa pois mantém em alto nível a disponibilidade da frota e no mais baixo nível a ocorrência de incidentes e acidentes que geram conseqüências muitas vezes incalculáveis. Por isso, deve ser incluído nas suas políticas administrativa e operacional, tomando-se uma das referências para a tomada de decisões em todos os seus níveis.

Essas três áreas, sempre presentes no desempenho do ser humano em qualquer atividade organizacional, devem receber especial atenção.

MOTIVAÇÃO

Para que as pessoas desenvolvam um interesse por qualquer atividade e necessário que sejam, de alguma forma e constantemente motivadas a isso. Isto é obtido através de Orientação e estímulos específicos pois, do contrário, dificilmente haverá uma conscientização da necessidade e da real importância que lhe deve ser atribuída.

EDUCAÇÃO E TREINAMENTO


Isso pode acontecer quando o treinamento não enfoca a importância da tarefa para o sucesso da atividade como um todo ou não há uma reciclagem periódica de conhecimentos básicos, permitindo que o próprio desempenho se deteriore.

Não basta ministrar o treinamento técnico, mas é necessário que se eduque as pessoas a fazerem o que lhes foi ensinado da maneira como lhes foi ensinado, mostrando-lhes a razão e a importância disso.

SUPERVISAO

Qualquer atividade desenvolvida segundo padrões estabelecidos pode sofrer um processo de deterioração se não for constantemente submetida à avaliação quanto a sua adequabilidade uma vez que vários aspectos e circunstâncias externas podem interferir na sua efetividade, surgindo dai inadequações de procedimentos.

Isso estabelece a necessidade de um processo de realimentação do processo com novas informações, seja para atualização de dados, seja para adequação de procedimentos ou alteração de sistemáticas.

Portanto, somente será realmente eficaz se o exercício de supervisa-o for praticado em todos os níveis da administração.

Desde 1938, a teoria desenvolvida por Willian Heinrich, tomando como referência a industria têxtil dos EUA, vem mostrando uma verdade que pode ser muito útil para o estabelecimento de necessidades, prioridades, padrões ou tendências no desenvolvimento de uma atividade e que tem sido largamente utilizada na aviação por varias empresas e organizações em todo o mundo.

Segundo Heinrich, através de observações levadas a efeito na industria têxtil dos Estados Unidos, para cada trezentas situações de risco observadas e registradas, vinte e nove resultariam em acidentes leves e uma geraria um acidente de grandes proporções. Isso tem sido estudado e comprovado em atividades cujo universo de prova é bem vasto e os resultados encontrados apresentam uma margem de variação de, aproximadamente, 2%.

Recentemente, a National Transportation Safety Board (NTSB), nos Estados Unidos, acrescentou nova referência a esse estudo que estabelece o numero de seiscentas ocorrências realmente observadas para cada trezentas registradas conforme Heinrich havia anunciado. A causa dessa variação é que, pelo menos metade das ocorrências observada não é reportada aos órgãos e setores responsáveis pela administração do risco em uma organização.

Assim, o universo de acidentes tecnicamente analisados apresenta-se como a ponta de um "iceberg" que assusta, devido à sua dimensão e imponência, mas, também, esconde um potencial de tragédia muito maior sob a superfície da água
Abaixo se apresenta a descrição gráfica desse conceito tão verdadeiro para a realidade da aviação.

Diante da profundidade desses princípios e conceitos. toma-se clara a importância e a necessidade da especialização em prevenção de acidentes pois, somente através de uma mentalidade voltada e consciente dos aspectos envolvidos e que será possível o desenvolvimento de ações efetivas e produtivas nessa área.

É falso o pressuposto de que apenas a obediência incondicional às regras e normas estabelecidas tanto na área técnica como na de prevenção de acidentes seja suficiente para impedir a ocorrência de um acidente. O que somente será obtido quando houver uma vontade global em tomo desse objetivo.

Não se pode quantificar os benefícios de qualquer ação de prevenção de acidentes, assim como a economia resultante de um acidente que não ocorreu, por isso, também é difícil avaliar o investimento feito com a aplicação de um efetivo programa de prevenção de acidentes pois a verdadeira importância da segurança de voo somente é percebida quando ela falha.

Também, é difícil ensinar segurança pois o seu verdadeiro conceito é formado no interior de cada um através do conhecimento adquirido e da sua consciência frente a responsabilidade inerente a cada um.

Por : Cmte Eng. Jefferson V.Fragoso - EC-Prev

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