Virgílio faz aviões para colorir o céu

Apaixonado por aeromodelismo, ele é um dos poucos construtores do pequenos aviões em Ribeirão Preto (SP)

Virgílio "Santal" Cabral (na foto acima, em sua oficina) é apaixonado por aeromodelismo. O morador da Vila Virgínia é um dos poucos construtores dos pequenos aviões em Ribeirão Preto. O gosto pelas aeronaves surgiu na infância. Santal as observava sobrevoarem a pequena Ilínea, no interior de Minas Gerais, e tentava reproduzi-las com um pequeno canivete e pedaços de madeira.

Aos 14 anos, ele se mudava para Ribeirão Preto e um ano depois já fazia seu primeiro avião de cabo (miniatura que voa presa a um cabo puxado pelo "piloto"). O talento foi criando forma e aos 16 ele já produzia sua primeira réplica a motor.

"Ganhei a planta de um amigo. Levei mais de dois meses para construir. Deu muito trabalho. Hoje faço o mesmo modelo em 15 dias", conta o morador.
Além da inexperiência do menino, outro obstáculo se impunha: a escassez de artigos. "Do rádio [aparelho de controle remoto] ao combustível, muitas peças tínhamos que importar do Japão. Demorava muito pra chegar aqui e era tudo mais caro", explica Santal, que por muitas vezes produziu ele mesmo o combustível para as aeronaves, numa mistura de óleo de mamona com etanol.

E o avião não deu vexame, voou bem logo na primeira vez. Na época, Santal era o caçula na pista de Ribeirão e recebia o apoio dos mais velhos para aprender a pilotar. "Levei um mês até pegar o jeito".

Na época de suas primeiras experiências no comando de um aeromodelo, os voos ainda eram realizados no bairro São José. Atualmente, a turma se reúne em uma pista na estrada para Dumont.

Envolvido com a atividade, o apelido Santal chegou por conta da fama do aeromodelista. Já adulto, ele trabalhava na fábrica de tratores do mesmo nome. "Muita gente me procurava para encomendar os aviões e o ponto de referência era a fábrica. Aí ficou Santal."

Hoje, Virgílio vive do hobby e é famoso não só em Ribeirão. Algumas de suas réplicas motorizadas já foram exportadas para Bolívia e Itália. E ele produz todo tipo de modelos, de aviões de manobra a planadores, que podem chegar a um terço do tamanho de uma aeronave de verdade. Duvida? Até uma réplica do 14-Bis já saiu de sua oficina.

Fonte: A Cidade - Foto: Letícia Rossi/ME

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