O combate mais difícil !



"Essa área, pontilhada por vários campos de pouso soviéticos, sempre foi uma boa região para a caça, no passado. Hoje não tivemos que esperar muito tempo também. Na frente, à esquerda, um punhado de pequenas sombras emergiu da neblina, distantes. Eles rapidamente foram crescendo e revelaram-se como uma revoada de 20 aviões de ataque soviéticos. Poucos momentos depois, avistamos outras seis máquinas, caças americanos fazendo a escolta."


"Estávamos voando a aproximadamente 1.000 metros e os soviéticos estavam a uns 200 metros abaixo de nós - a escolta, voando pelos 1.200 metros. Eu imediatamente subi para ficar acima deles. O sol estava no Sudeste. Os 'americanos', agora abaixo de mim, não haviam percebido nada. Eu coloquei um na minha mira e abri fogo - ele imediatamente mergulhou, atingiu o solo e explodiu, em chamas. Em choque, os cinco remanescentes viraram para a direita. Eu havia atingido meu objetivo. Os caças estavam agora a uns 500-600 metros dos aviões de ataque, e meus homens tinham o caminho livre."

"Enquanto isso, ao tentar acertar outro caça, os outros tentavam se voltar para minha cauda. Acabamos em um círculo, comigo no meio tentando conseguir uma boa posição para atirar. Estávamos todos gradualmente perdendo altitude. Eu quase não disparava uma bala, enquanto atrás de mim um ou dois dos opositores se aventurava contra mim - de muito longe e com péssima mira. Então, a aproximadamente 50 metros do solo, eu consigui colocar o outro caça na mira. Ele também imediatamente chocou-se ao solo e explodiu."

"Olhei sobre meu ombro. A batalha passou por uma reviravolta indigesta. Oito caças soviéticos chegaram ao cenário e se juntaram aos outros! Estava grudado na traseira de um dos 'americanos'. Atrás de mim estava um dos soviéticos. Umas poucas olhadelas me convenceram de que ele estava se aproximando. Na minha direita, uma linha de buracos de bala subitamente apareceu na minha asa. O soviético estava disparando em mim tudo o que tinha. Seus disparos quase não paravam. Um tiro de canhão acertou em cheio minha asa, abrindo um rasgo. O Ivan estava ficando cada vez mais perto, mais perto. Ele estava quase passando por mim. Sempre que olhava para trás, a enorme estrela soviética parecia encher meu campo de visão. Balas continuavam a acertar as minhas asas. Elas estavam ficando cada vez mais próximas do cockpit."

"O momento da decisão havia chegado. Fiz minha última tentativa e perdi o máximo de velocidade que consiguia. Eu usei toda a habilidade e experiência que acumulei nos vários combates em que participei para manter o avião estável enquanto minha velocidade despencava rápida e perigosamente."

"Cinqüenta metros à minha frente estava o 'americano'. Menos de dez metros atrás de mim estava o russo. Durante a perseguição, eu escorreguei para a direita várias vezes para tentar desviar dos tiros do meu caçador. Tentei a mesma manobra uma última vez. E dessa vez o Ivan caiu na minha armadilha. Numa fração de segundos, enquanto deslizava outra vez para a direita, muito próximo do estol, ele perdeu a concentração. Levei mais dois tiros de canhão antes de completar a manobra, mas então ele havia me ultrapassado, passando por debaixo das minhas asas."

"Ele apareceu bem na minha frente. Via claramente o piloto dentro do cockpit e a estrela soviética. Empurrei com tudo o acelerador - potência máxima! Esperava que o bom e velho Focke-Wulf, apesar de ferido pela batalha, pudesse agüentar! Num estante estava com o russo na mira. Ele caiu na minha primeira rajada. Pronto, o duelo está acabado. A batalha toda durou exatamente 45 minutos."

Retirado do livro "Aircraft of the Aces - Legends of World War 2", de Tony Holmes, com ilustrações de Iain Wyllie.

Essa batalha de tirar o fôlego foi travada por Walter Nowotny, quando servia como Staffelkapitän do 1./JG 54, no inverno entre 1942 e 1943. Um dos muitos austríacos a alcançar o alto escalão da Luftwaffe, durante a guerra, Walter Nowotny voou quase exclusivamente contra os russos. Ele foi talvez o piloto de Fw 190 mais bem sucedido na Frente Leste, com todas (exceto três) das suas 258 vitórias confirmadas sendo contra os soviéticos.
Ele se uniu ao III.Gruppe do JG 54 em fevereiro de 1941 e suas primeiras três vitórias - um trio de biplanos I-153, abatidos sobre o Mar Báltico, em 19 de julho de 41 - foram quase suas últimas. Forçado a saltar de seu avião, o piloto de 20 anos quase não sobreviveu às 72 horas que teve de flutuar sobre um pequeno bote salva-vidas, antes de ser levado à costa, pelas ondas. Em meados de 1942 ele havia alcançado a marca de 50 vitórias, recebido a Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro e servia como Staffelkapitän do 1./JG 54. Mas foi no verão de 1943 que sua carreira em combate realmente decolou.

Em junho de 1943, Nowotny marcou 41 vitórias, incluindo incríveis dez em um único dia. Em agosto ele se tornou Gruppenkommandeur do 1./JG 54 e celebrou sua promoção conseguindo inacreditáveis 49 vitórias em apenas um mês! Em setembro sua contagem chegou aos 200 inimigos e em 14 de outubro de 1943 tornou-se o primeiro piloto da Luftwaffe a alcançar as 250 vitórias em combate. Nowotny foi então agraciado com a Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro com Folhas de Carvalho, Espadas e Diamantes, a segunda maior condecoração existente.

No outono de 1944, após um período comandando uma escola de pilotos de caça, o então Major Nowotny foi selecionado para comandar uma unidade operacional experimental, voando os revolucionários caças a jato Me 262 - tratava-se do Kommando Nowotny. Em 6 de novembro, ao ouvir o inconfundível barulho do combate aéreo, os pilotos sob comando de Nowotny, observando a partir de sua base em Achmer, viram o avião de seu comandante emergir de densas nuvens e mergulhar, verticalmente, no solo. Ele havia sido morto, quase um mês antes de completar 24 anos, ao tentar atacar os bombardeiros pesados norte-americanos, que assolavam a Alemanha.


Por: Vitor Freesz

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