A novela brasileira do F-X2





Nos últimos meses toda imprensa, sendo ela especializada ou não no ramo da aviação militar, entrou numa guerra de informações sem tamanho sobre o programa F-X2, que visa compra de 36 novos caças para Força Aérea Brasileira (FAB). Mais que isso, o programa F-X2, a exemplo da primeira versão do programa, caiu em discussão política, o que poderá levar a mais um cancelamento de compra dessas necessárias aeronaves para FAB, também semelhante ao que ocorreu na primeira vez.
Todos jornais, blogs, fóruns e até emissoras de televisão estão buscando sempre ter o furo de reportagem, a informação que ninguém tem, e muitas vezes acabam criando informações desencontradas, ou inverdades, que depois são desmentidas imediatamente pelos órgãos oficiais do governo e da aeronáutica.
Foi o caso recente dos supostos relatórios da aeronáutica que teriam sido entregues (mas podem não ter sido) ao Presidente Luís Inácio Lula da Silva. Depois uma suposta segunda versão, que também foi desmentida (veja o trecho no final desse artigo).
Acontece que indiferente de qual caça for escolhido, a Força Aérea Brasileira está necessitando um novo vetor aéreo para proteger ou controlar o espaço aéreo brasileiro, seja qual for a finalidade e missões a que esses 36 caças tenham que assumir.
Os três concorrentes atuais tem suas vantagens e desvantagens e não quero demonstrar aqui minha opinião de qual será o melhor para FAB. A Aeronáutica possui uma equipe de especialistas capacitados para tal tarefa. Acredito e confio na opinião de tais profissionais que formularam esse relatório que sem sombra de dúvida será idôneo.
Acontece que ficar discutindo se as aeronaves possuem um ou dois motores, quanto podem levar de armamentos, quanto tem de autonomia, ou outras coisas mais, é como querer decidir qual o melhor carro para se ter, se uma Ferrari, ou um Volvo, quando não conseguimos colocar em funcionamento nem um Corcel 74 (não desmerecendo o venerável Corcel).
A frota atual de caças da FAB está baseada exclusivamente em 12 Mirage 2000 (comprados de segunda mão da França, após o cancelamento do programa F-X1) e de 57 caças Northrop F-5E/F (a maioria modernizados para o padrão M, mas que tiveram as células adquiridas de segunda mão). Ou seja, o Brasil não adquire caças novos, ou “zero Km” desde que os caças Dassault Mirage III entraram em operação com o 1º Grupo de Defesa Aérea (GDA), em Anápolis, no ano de 1972! Sim, já se passaram quase 40 anos. Depois dos Mirage III só foram adquiridos vetores de caça de segunda mão, e agora ficam “brincando” de escolher novos caças.
Somente buscando uma lembrança recente, por falta de uma decisão do primeiro programa F-X, os caças Mirage III tiveram que ser retirados de serviço e como não haviam substitutos em tempo hábil, colocaram para operar no 1º GDA aeronaves Xavante, para manter a proficiência dos pilotos do esquadrão. Nesse período sem Mirage, esquadrões de caças F-5E Tiger II do 1º Grupo de Caça e do Esquadrão Pampa manteram as operações de alerta em Anápolis
Agora, nossos governantes ficam pensando uma eternidade para decidir qual o melhor caça do F-X2. Acho que o ruim não é decidir por um ou outro, pois todos terão alguma desvantagem. O ruim será NÃO decidir, e corrermos o risco de cairmos num novo programa F-X3, depois um F-X4, além do país ficar totalmente desacreditado no mercado internacional.
Aliás, se o tal relatório está pronto, o que está precisando para ele ser finalmente entregue ao Presidente para que o político dê seu voto final? Se precisarem de um Volvo para tranportar eu posso conseguir um.
O Brasil, independente dos problemas sociais, e de tantos outros problemas, necessita de um vetor capaz de proteger o espaço aéreo continental, e acredito que os três caças poderão dar conta do recado. A dúvida que permanece é o custo para isso. E se a Força Aérea Brasileira, assim como todas Forças Armadas do Brasil continuam a passar por contingenciamento de verbas, a análise deveria pesar bastante sobre o valor operacional de cada aeronave, pois comprar novos caças e não ter dinheiro para mantê-los voando é mais feio que comprar um caça baseado somente numa decisão política.

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