Uma breve resumo de uma grande equipe

14 de Maio de 1952. Durante o táxi, ouvia-se o inconfundível roncar dos motores do T-6. Após um intenso treinamento,
nos intervalos de almoço e nas folgas da instrução de vôo de um seleto grupo de instrutores, o Comandante da Escola de Aeronáutica, decidiu apresentá-los publicamente, quando da realização de uma cerimônia cívico-militar que seria assistida por uma numerosa delegação de Oficiais estrangeiros. Acontecia então, naquela data, o primeiro vôo, era o nascimento da Esquadrilha da Fumaça.

Os Tenentes Domenech, Fraga, Collomer e Martins, com o objetivo de incentivar os Cadetes e de mostrar-lhes que poderiam confiar em seus instrutores e aviões, decolavam e executavam um sem número de manobras de precisão.

No início, faziam Loopings e Tounneaux com duas aeronaves (era o vôo de elemento), mais tarde, após os comentários em terra, onde discutiam todos os detalhes, passaram a voar com três aeronaves e finalmente com quatro. É o que podemos constatar com as próprias palavras do Fumaceiro Domenech:

aviões e praticar as primeiras manobras em conjunto. Decolávamos na hora do almoço ou entre as aulas, e voávamos em direção a Jacarepaguá ou Nova Iguaçú, onde realizávamos nossos treinos em segredo. No princípio, praticávamos com dois aviões, e pouco a pouco fomos nos juntando, até que começamos a fazer Loopings e Tounneaux com quatro aviões em diamante. Naquela época, quem comandava a divisão de instrução era o Tenente-Coronel Délio Jardim de Mattos, um fanático por acrobacias aéreas, que não só autorizou as manobras como disse que queria vê-las:

-Então dissemos: Está bem!, e nos mandamos para Jacarepaguá. O Tenente-Coronel Délio pegou um avião e seguiu atrás. Entusiasmado, acabou contando ao Comandante da Escola o que estávamos fazendo e a reação foi a mesma: - Quero ver!

E assim realizamos a primeira demonstração sobre os Afonsos."

"Entre alunos e obrigações administrativas, os jovens pilotos conseguiam arrumar tempo para decolar com quatro aviões e praticar as primeiras manobras em conjunto." Fumaceiro Domenech


Entre uma demonstração e outra, viu-se a necessidade de proporcionar ao público assistente uma melhor noção das manobras executadas. Foi então que em 1953, após uma série de experiências, colocou-se o tanque de óleo, exclusivo para a produção da fumaça, no compartimento de bagagem do T-6:

"Já na Esquadrilha, fiz uma viagem ao Colorado, e num dia de céu muito azul, vi quatro aviões se aproximando em linha e, de repente, manobrando no céu, começaram a soltar fumaça e escreveram o nome de um cigarro. Vi aquilo e fiquei entusiasmado. Tinha a certeza de que nós também faríamos aquilo.... Foi um amigo, piloto da Varig, quem descobriu que nos Estados Unidos, eles utilizavam um óleo de limpeza do motor, o flushing oil. Corremos atrás do óleo e compramos um barril. Foi a primeira vez que usamos a fumaça em público. Decolamos e escrevemos FAB em letras enormes sobre a praia de Copacabana. Introduzia-se alí o dispositivo que, ao sair pelo escapamento, desenhava no céu aquelas manobras precisas, criando o nome que mais tarde, os Cadetes e o público, carinhosamente dariam àquele grupo,'Esquadrilha da Fumaça'".

Em 1954, com a transferência do Capitão Domenech, assumia o comando da Esquadrilha o Capitão Fraga, e já em 1955 surgia uma Esquadrilha totalmente renovada, onde o Capitão Fonseca, o Tenente Mendonça, o Tenente Cipriano e o Tenente Ludolf, davam prosseguimento às demonstrações. Estava concretizado assim o sonho da Fumaça, em seus cinco aviões de uso exclusivo, com distintivo e pintura próprios, idealizados pelo Fumaceiro, e agora ex-integrante, Capitão Collomer.

Seguiram-se dois anos de grandes atividades e tornou-se necessário o apoio de mais alguns pilotos para cumprir o elevado número de pedidos de demonstração. Dava-se, então, o início da função de Relações Públicas da Esquadrilha, quer por seus vôos, quer por suas palestras, aumentando cada vez mais o número de cidades que conheceriam a Força Aérea Brasileira por seu intermédio. Assim, a Esquadrilha da Fumaça foi aumentando o número de manobras e se popularizando cada vez mais no Brasil e no exterior, até que em 1963 foi transformada na "Unidade Oficial de Demonstrações Acrobáticas da Força Aérea Brasileira", única no mundo a se apresentar com aviões convencionais, até 1969.


Naquele ano a Fumaça recebia sete jatos Super Fouga Magister que, apesar das limitações técnicas de baixa autonomia e incapacidade de operar em pistas rudimentares, (pousando apenas em pistas pavimentadas), cumpriria bem a sua missão. É o que relata o Fumaceiro Coronel Braga, que ingressou em meados de 1963 e, como líder, continuou por 14 anos, confundindo-se com a própria história da Esquadrilha: "- No Fouga, a fumaça saía pelo escapamento, na traseira do avião. Só os aviões com o escapamento na cauda é que podem soltar fumaça colorida. Em 1973/1974, chegamos a voar com o Fouga soltando fumaça verde, amarela e azul.

Ficou muito bonito."

Mesmo com características positivas, não durou muito a passagem dos Fouga pela Fumaça e, logo, foram aposentados. Como não haviam abandonado o velho T-6, continuaram as apresentações, até que em 1976, após 1.272 demonstrações, o Ministério resolvera aposentar o avião que deu início ao sonho e, a partir daquela data, a Fumaça também deixaria de existir.

Por volta de 1976, o Ministério da Aeronáutica resolvera abandonar o velho T-6, avião que deu início ao sonho da Esquadrilha. A partir daquela data, a Fumaça também deixaria de existir.


Alguns anos mais tarde, já na Academia da Força Aérea, o Brigadeiro-do-Ar Lauro Ney Menezes, como seu Comandante, decidiu incentivar a reativação da Fumaça e, após selecionar alguns instrutores, que passaram a treinar com os T-25 que equipavam o grupo de instrução aérea, colocou no ar o Cometa Branco. A 10 de Julho de 1980 realizava-se a primeira demonstração daquele grupo de instrutores, na entrega de Espadins aos Cadetes que, naquele ano, haviam ingressado na AFA. Logo, reuniu-se ao grupo, um dos últimos integrantes da Fumaça, ainda do tempo do T-6, o então Major Ribeiro Júnior que, transferido para a Academia, incorporou os procedimentos de segurança e a doutrina da antiga Fumaça. Até que, em 8 de Dezembro de 1983, com a chegada do EMB-312 Tucano da Embraer, renascia, para alegria de todos, o agora intitulado "Esquadrão de Demonstração Aérea" que, gentilmente, o público não deixaria de chamar de Esquadrilha da Fumaça.

Embora com uma estrutura bastante diferenciada do início, a Esquadrilha da Fumaça procura resguardar, hoje, os princípios que lhe deram sustentação ao longo da sua existência. Com o reconhecimento nacional e internacional, concretizou-se como instrumento de Relações Públicas da FAB, atingindo um lugar de destaque nos principais meios de comunicação dos países por onde passou. É o que se pode notar nesse trecho, extraído de uma reportagem da revista Alemã AEROKURIER de Abril de 1985: "Se houvesse um festival de times acrobáticos internacionais, a Esquadrilha da Fumaça estaria provavelmente muito cotada para um primeiríssimo lugar. Com seus treinadores EMB-Tucano vermelhos, a Esquadrilha da Fumaça consegue, magicamente, combinar elegância com preenchimento de espaço... Se depender da criatividade do programa, da precisão ou do domínio individual da aeronave, a Esquadrilha da Fumaça não precisa temer a comparação com nenhuma outra Esquadrilha do mundo".

"Se houvesse um festival de times acrobáticos internacionais, a Esquadrilha da Fumaça estaria provavelmente muito cotada para um primeiríssimo lugar." revista Alemã AEROKURIER, Abril de 1985


Esse é o estímulo que move os passos desse Esquadrão por todos esses anos de existência, divulgando a FAB pelo Brasil e pelo Mundo, quer seja num bom tempo, quer seja num mau tempo, demonstrando a elevada capacidade técnica dos nossos pilotos e mecânicos, dando continuação ao velho espírito de arrojo e determinação que nos idos de 52 foi criado pelos pilotos da Esquadrilha da Fumaça.

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