Documentário

O documentário "Panair do Brasil", de Marco Altberg, faz o retrato quase ufanista da empresa de aviação pioneira no país que dá título ao filme. A companhia aérea criada em 1930 se tornou uma das maiores do mundo e foi desmantelada durante o regime militar, encerrando as atividades em 1965, em um processo de cassação de linhas aéreas considerado uma violência jurídica.

















A importância e grandiosidade da Panair do Brasil são contadas pelos ex-funcionários e familiares dos antigos proprietários da companhia aérea. Os depoimentos deixam no ar uma certa nostalgia da época em que os aviões da Panair alçavam vôo e atravessavam o Atlântico rumo à Europa e Oriente Médio. É possível notar a importância que a empresa tinha para o país, a ponto de se tornar um ícone do imaginário popular brasileiro.












A empresa aérea transportou borracha e cristais de rocha, usados para a fabricação de miras de fuzis durante a Segunda Guerra Mundial; levou remédios à população da Amazônia; foi a segunda maior companhia do mundo em movimento em meados do século 20 e também foi a proprietária da primeira oficina de motores de avião autorizada pelas companhias aéreas internacionais. Enfim, não era pouca coisa.

Mas a opção de Altberg de apresentar apenas a versão da Panair dá ao filme um aspecto quase oficial. Este não seria um problema se a história da empresa não apresentasse episódios complexos como a concorrência com a Varig e a cassação das linhas pelo regime militar. O filme dá grande peso aos depoimentos dos ex-funcionários e familiares, o que provoca a impressão de vitimização da Panair diante dos "vilões" Varig e ditadura militar.

Para um país que enfrentou em sua história recente dois desastres aéreos, uma crise da aviação, além da falência da Vasp e da Transbrasil, talvez seja difícil ver uma história bem-sucedida como a da Panair do Brasil sem um ar de desconfiança, ainda mais quando se opta pelo ponto de vista dos envolvidos diretos.

A falta de maior distanciamento dos personagens pode ser notada logo nos primeiros minutos. Entre os primeiros depoimentos estão os dos filhos de Celso da Rocha Miranda e Mário Wallace Simonsen. Mas quem são eles? Os poucos familiarizados com a história da empresa ou aqueles que tenham menos de 50 anos talvez não saibam que esses são os nomes dos antigos controladores da Panair, informação que será dada apenas após meia hora de documentário.

Além disso, em determinado momento vemos cenas de Santos Dumont e seu 14 Bis associadas à Panair. Parece ser uma relação exagerada, mesmo que a Panair seja um caso de sucesso em uma época em que o Brasil sonhava alto.


Fonte: UOL - Redação

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